O Rompimento dos Clichês
Existe um filme que eu não havia visto, mas define a era de ouro das comédias românticas dos anos 90 e ao mesmo tempo subverte quase todas as suas regras, é "O Casamento do Meu Melhor Amigo". Dirigido por P.J. Hogan, o longa é presença constante na memória afetiva de muita gente. Assisti pela primeira vez hoje, percebi que ele vai muito além de uma simples história de amor.
A "Vilã" Protagonista
O grande trunfo do filme é a coragem de apresentar uma protagonista que faz coisas questionáveis. Julianne (Julia Roberts) é carismática e magnética, mas suas ações para destruir o casamento de Michael e Kimberly são egoístas, manipuladoras e caóticas.
Diferente da maioria das comédias românticas, aqui ficamos divididos. Às vezes queremos que Julianne vença, mas sentimos pena de Kimberly (Cameron Diaz), que não merece ter seu sonho destruído. O filme levanta discussões interessantes sobre a rivalidade feminina retratada no cinema da época.
A Subversão do "Felizes Para Sempre"
O roteiro brilha ao quebrar a expectativa de que o protagonista sempre consegue o que quer. O final original foi refilmado porque o público de teste odiava as atitudes de Julianne. O resultado final é agridoce e maduro: ela não fica com Michael, mostrando que nem sempre o amor romântico é o prêmio final.
O Fator George e a Trilha Sonora
Não dá para falar desse filme sem exaltar Rupert Everett como George. Ele é a voz da razão e protagoniza a cena antológica de "I Say a Little Prayer" no restaurante. A trilha sonora, indicada ao Oscar, é um personagem à parte na trama.
Por que 4/5?
Apesar de excelente, o filme carrega estereótipos que podem incomodar o olhar contemporâneo, como a ideia de que a mulher focada na carreira acaba "sozinha" e o tropo do "melhor amigo gay" como prêmio de consolação.
Ainda assim, a obra resiste ao tempo. É um filme sobre amadurecimento, sobre saber a hora de deixar ir e sobre entender que, às vezes, "haverá dança", mesmo que não seja com o noivo que você imaginava.
Veredito: Uma comédia romântica essencial que ensina mais sobre amor próprio e amizade do que sobre contos de fadas.