Análise de O Casamento do Meu Melhor Amigo

Crítica: O Casamento do Meu Melhor Amigo – Quando o "Felizes Para Sempre" é Realista
Julia Roberts e o elenco de O Casamento do Meu Melhor Amigo
Julia Roberts no auge das comédias românticas dos anos 90.

O Rompimento dos Clichês

Por: Felipe Matheus
Minha Nota: 4/5
⭐⭐⭐⭐

Existe um filme que eu não havia visto, mas define a era de ouro das comédias românticas dos anos 90 e ao mesmo tempo subverte quase todas as suas regras, é "O Casamento do Meu Melhor Amigo". Dirigido por P.J. Hogan, o longa é presença constante na memória afetiva de muita gente. Assisti pela primeira vez hoje, percebi que ele vai muito além de uma simples história de amor.

A "Vilã" Protagonista

O grande trunfo do filme é a coragem de apresentar uma protagonista que faz coisas questionáveis. Julianne (Julia Roberts) é carismática e magnética, mas suas ações para destruir o casamento de Michael e Kimberly são egoístas, manipuladoras e caóticas.

Diferente da maioria das comédias românticas, aqui ficamos divididos. Às vezes queremos que Julianne vença, mas sentimos pena de Kimberly (Cameron Diaz), que não merece ter seu sonho destruído. O filme levanta discussões interessantes sobre a rivalidade feminina retratada no cinema da época.

A Subversão do "Felizes Para Sempre"

O roteiro brilha ao quebrar a expectativa de que o protagonista sempre consegue o que quer. O final original foi refilmado porque o público de teste odiava as atitudes de Julianne. O resultado final é agridoce e maduro: ela não fica com Michael, mostrando que nem sempre o amor romântico é o prêmio final.

O Fator George e a Trilha Sonora

Não dá para falar desse filme sem exaltar Rupert Everett como George. Ele é a voz da razão e protagoniza a cena antológica de "I Say a Little Prayer" no restaurante. A trilha sonora, indicada ao Oscar, é um personagem à parte na trama.

Por que 4/5?

Apesar de excelente, o filme carrega estereótipos que podem incomodar o olhar contemporâneo, como a ideia de que a mulher focada na carreira acaba "sozinha" e o tropo do "melhor amigo gay" como prêmio de consolação.

Ainda assim, a obra resiste ao tempo. É um filme sobre amadurecimento, sobre saber a hora de deixar ir e sobre entender que, às vezes, "haverá dança", mesmo que não seja com o noivo que você imaginava.

Veredito: Uma comédia romântica essencial que ensina mais sobre amor próprio e amizade do que sobre contos de fadas.

Foto de Perfil de Felipe Matheus
Sobre o Autor:

Felipe Matheus é um entusiasta de games e cultura pop, sempre de olho nas últimas novidades do universo geek e esportivo. Adora desvendar crossovers inusitados e compartilhar suas descobertas com outros fãs.

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